CF 2018: Superar a violência

Os animadores da Campanha da Fraternidade

O dia nacional da coleta da solidariedade é sempre no Domingo de Ramos, que neste ano de 2019 será no dia 14 de abril. Segundo os Bispos do Brasil, os principais motivadores e animadores da Campanha da Fraternidade são os bispos, os padres, os religiosos, as religiosas, os diáconos, as lideranças leigas, os agentes de pastoral, os colégios católicos e os movimentos eclesiais. “A Igreja espera que com esta motivação todos participem, oferecendo sua solidariedade em favor das pessoas, grupos e comunidades, pois ‘ao longo de uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da vida’ (DGAE,n.66). O gesto fraterno da oferta tem um caráter de conversão quaresmal, condição para que advenha um novo tempo marcado pelo amor e pela valorização da vida” (CNBB, Texto-Base, CF 2018, p.106).

A coleta da solidariedade é gesto concreto – um dentre tantos! – que faz a diferença para muitos de nossos irmãos e irmãs!

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Violência excepcionalmente repugnante

Toda forma de violência é repugnante, seja ela física, psíquica ou religiosa. A cometida contra as crianças, porém, é multiplamente repugnante, a começar pela desproporção de força e pela maldade em ferir e machucar quem está dando os primeiros passos na difícil e complicada arte de viver e conviver.

Uma das formas que temos para prevenir, remediar e justiçar esta “diabólica” ação contra as crianças é conhecendo, estimulando, participando e somando forças com o ECA: Estatuto da Crianças e do Adolescente. “Promulgado em 1990, trouxe uma nova visão sobre a violação de direitos da criança e dos adolescentes, principalmente, sobre a violência sexual, uma das mais graves violações de direitos humanos (…) A consolidação do ECA como legislação é um grande marco para a sociedade brasileira, pois até então as crianças e os adolescentes do Brasil não eram ‘sujeitos de direitos'” (CNBB, Texto-Base 2018, nn. 257 – 258).

É a partir da realidade de violência em que vivemos e da importância do ECA que os Bispos do Brasil sugerem as seguintes ações pastorais:

1. Denunciar toda e qualquer forma de violência sexual contra crianças e adolescentes, seja ela de exploração sexual, abuso sexual, turismo sexual, tráfico interno e internacional para fins de exploração sexual, pornografia na internet, pedofilia e assédio sexual;

2. Promover ações em parcerias com os Conselhos Tutelares (CT), Conselho Municipal da Criança e Adolescente (CMDCA), Conselho de Alimentação Escolar (CAE) e Pastoral do Menor;

3. Defender o ECA como uma política pública que possibilita o enfrentamento e a superação da violência;

4. A partir da Doutrina Social da Igreja, promover debates, rodas de conversas envolvendo as secretarias de inclusão, cidadania, direitos humanos e conselhos de direitos para, juntos, buscar formas de superação da violência contra crianças e adolescentes.

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Passos para a superação da violência

Os Bispos do Brasil, assessorados a cada ano por especialistas no tema da Campanha da Fraternidade escolhido, orientam cristãos e não-cristãos na reflexão e na ação. Vamos conhecer hoje algumas das pistas de superação que eles partilham conosco.

1. A comunidade insira o tema da paz em sua liturgia e oração;

2. Articular por meio do Ecumenismo e do Diálogo inter-religioso, momentos de oração pela paz em lugares simbólicos;

3. Conhecer as realidades próximas da comunidade que apresentem conflitos, para um discernimento sobre as melhores soluções e contribuições possíveis.

4. Acompanhar famílias, jovens, grupos de bairros rivais, escolas com incidência de conflitos em vista de superá-los;

5. Apoiar as iniciativas da sociedade organizada e de organizações não governamentais, que visem à cultura da paz;

6. As comunidades precisam conhecer serviços mediante os quais a Igreja se faz solidária às vitimas da violência de nossa sociedade e empenha-se pela superação e pela construção de relações segundo o Evangelho;

7. Inscrever a participação nos Conselhos Paritários no plano pastoral da diocese ou paróquia, como uma das formas de participação na Igreja na edificação do bem comum da sociedade;

8. Promover a formação de leigos e leigas animando-os a organizarem-se para a construção de uma sociedade que supere a violência;

9. Incluir o tema da superação da violência nos programas de formação para a Iniciação Cristã, Catequese e Pastoral Juvenil;

10. Promover uma Pastoral Familiar capaz de ajudar cada família a superar os problemas de violência doméstica;

11. Sugerir pauta aos jornais, através de relacionamento com assessores de imprensa e agentes da Pastoral da Comunicação, buscando seu envolvimento na causa da superação da violência.

12. Resgatar documentos do magistério da Igreja referentes ao valor e à dignidade da pessoa humana, através da formação de grupos de estudo nas paróquias, escolas, comunidades e movimentos;

13. Utilizar os meios de formação como homilia, catequese, encontros, cursos, escolas da fé, para aprofundar temas relativos à superação da violência, a fim de atingir as pessoas que participam da vida eclesial;

14. Aprofundar o conhecimento sobre as questões da superação da violência através da promoção de palestras e cursos destinados a bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, com especial atenção às pastorais da criança, do menor, da juventude, da família, da saúde, da educação, carcerária e da sobriedade (Cf. Texto-Base, n.240).

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Sugestões para construir uma cultura de paz

Os Bispos do Brasil, por meio da CF deste ano, lembram que somos todos chamados a superar a violência por nós, por nossas casas e comunidades. Eis alguns caminhos sugeridos por eles para construir uma autêntica cultura da paz:

1. Ter como critério o Evangelho, que revela as palavras, as motivações e o agir de Jesus;

2. É necessária a superação do conceito de justiça que diz que todo mundo deve pagar pelo que faz;

3. A misericórdia, a solidariedade e o desejo de superação devem ser os elementos que fundamentam a ação de todos diante da injustiça, da violência, do sofrimento, do conflito e da insegurança.

4. Ninguém deve pagar o mal com o mal, mas com o bem;

5. Renunciar a qualquer forma de violência;

6. Não se justifica colocar nas armas a solução para os conflitos humanos.

7. Criar novos relacionamentos, tendo como princípio a fraternidade e a necessidade de um projeto social comum, que seja causa de bens para as pessoas;

8. A solidariedade para com as vítimas da violência;

9. O respeito pela dignidade das pessoas e o engajamento na luta para que esta dignidade seja respeitada em todas as condições da vida humana.

10. A luta pela conversão pessoal e pela conversão de todos.

11. Promover uma cultura que respeite as diferenças, combatendo o preconceito e a discriminação.

12. Refletir nas famílias sobre o que contribui com a cultura da reconciliação e da paz, e sobre estratégias de solução.

13. Repensar a própria responsabilidade em relação à sociedade em temas como: sustentabilidade, respeito aos direitos dos outros, liberdade religiosa, educação para a solidariedade, cuidado com os bens públicos.

14. Promover momentos para exercer o discernimento evangélico acerca do que ocorre na comunidade, bairro, cidade, e identificar situações de violência (pontos de vendas de entorpecentes, prostituição, tráfico de pessoas, pessoas em situação de miséria, fatos ocorridos com pessoas, famílias e outros);

15. Desenvolver a capacidade de diálogo com pessoas de outras denominações religiosas e de posições diferentes da sua.

“A Igreja pensa que, por meio de cada um de seus membros e por toda a sua comunidade, pode ajudar muito a tornar mais humana a família humana e a sua história” (CNBB, Texto-Base 2018, p. 74).

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Cultura da violência. O que é isso?

Os termos “cultura”e “violência”, separados, são comuns no nosso dia a dia. Mas quando os colocamos numa mesma expressão, pode nos soar estranho. Violência não é violência, e pronto? Não. A cultura da violência esta aí, diante de nossos olhos, dentro de nossas casas, a um clique do controle remoto ou a um acesso à internet.

Ao tratar do assunto neste ano dedicado à superação da violência, os Bispos do Brasil fazem a seguinte reflexão a respeito do assunto: “Por violência cultural entendem-se as condições em razão das quais uma determinada sociedade não reconhece como violência atos e situações em que determinadas pessoas são agredidas. Criam-se processos que fazem aparecer como legítimas certas ações violentas. Elaboram-se discursos para apresentar razões e justificativas como se uma ação violenta fosse devida, uma consequência de determinadas condutas da própria pessoa que sofreu a violência. Portanto, a violência cultural não é, necessariamente, uma causa da violência direta, mas cria as condições em meio às quais chega a tornar-se difícil, para a sociedade, reconhecer um ato ou sistema como violento. (CNBB, Texto-Base, CF2018, p.23).

Até a próxima semana. Abraço fraterno!

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A incrível experiência do professor Zimbardo

O professor de psicologia Philip Zimbardo, dos Estados Unidos da América, fez uma incrível e impressionante experiência em 1971. Ele reuniu alunos voluntários e simulou a chamada “Prisão de Stanford”, onde dividindo os alunos em duas turmas, a uma atribuiu o poder de “guardas/carcereiros”, e a outros de “presos”. Todos conheciam a todos. Com o tempo e a indução, os alunos tornaram-se brutos, impiedoso e extremamente violentos. Toda a experiência foi acompanhada por um expressivo número de profissionais de diversas áreas. Conclusão: mesmo quem não é violento pode aprender a o ser. A violência é também consequência da convivência e do aprendizado. Ora, se podemos nos tornar violentos, também é verdade que podemos aprender a ser pacíficos. A experiência do Dr. Zimbardo está no livro em que ele mesmo relata a experiência ( O efeito Lúcifer, 2012, Rio de Janeiro/São Paulo, Record, 759 páginas). Pra mim foi um livro esclarecedor e edificante; aconselho-o a, se possível, também o ler. A CNBB, com a CF 2018, tem razão: é possível superar a violência!

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Quaresma e Páscoa em Família/2018

Eu e meus companheiros da Editora Pão e Vinho preparamos um subsídio intitulado QUARESMA E PÁSCOA EM FAMÍLIA. São cinco roteiros sobre a Quaresma, o Tríduo Pascoal e a Campanha da Fraternidade. Podem ser celebrados em comunidade, em grupos em famílias. O assunto central é Jesus Cristo e como, a partir Dele, podemos superar a violência. O livro, além dos roteiros, tem orações, cantos e a Via-Sacra.

Se houver interesse, é só ligar gratuitamente para 0800 052 1797.

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Uma proposta para o dia a dia

Há sempre o perigo de que tratemos de um tema, e até nós interessemos por ele, mas o identifiquemos longe de nós, não vendo o que ele tem a ver conosco, com a nossa cidade, o nosso bairro, a nossa rua, a nossa casa. Tendo essa situação em mente, preparamos, na Editora Pão e Vinho, um folder em que cada pessoa é convidada a optar por aquelas atitudes que são mais urgentes para a própria superação da violência. É uma forma concreta de livremente comprometer-se e começar literalmente por casa a viver a conversão que gera harmonia, paz e justiça. Se você ou sua comunidade tiverem interesse em adquirir esse folder, entrem em contato com a Editora Pão e Vinho pelo telefone: 0800 052 1797 ou através do site: Editora Pão e Vinho

Folder: Sugestões para a SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA no dia a dia

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Todos pela superação da violência

É profundamente triste, mas real: em média, sete pessoas morrem assassinadas a cada hora no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Isso é terrível! E ainda tem quem afirme que os Bispos do Brasil deveriam escolher temais mais relevantes para a Campanha da Fraternidade. Estamos matando, como povo brasileiro, mais gente do que o terror e as guerras internas pelo mundo. Não é possível, não é ético e nem é cristão que “lavemos as mãos” diante desta cruel realidade. Leia mais sobre os dados fornecidos pela Segurança Pública no site: Forum da Segurança Pública.

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O quebra-cabeça das CFs

Tenho ouvido muito o seguinte: ” A CF tem temas demais. Deveriam demorar mais tempo!”. A esse respeito tenho três pareceres:

1. Se cada CF demorasse mais do que dura hoje, ficaria pulverizada entre as nossas muitas atividades, e em pouco tempo cairia, se não no esquecimento total, pelo menos naquele “fundo de poço” onde estão muitas de nossas iniciativas pastorais que, assim como nasceram, morreram;

2. Uma campanha pode ser breve e impactante. É quase um evento de choque, mas que não resume apenas a este momento pontual. A CF, oficialmente, é celebrada durante a Quaresma, porém é vivenciada não só nesse tempo mas durante todo o ano litúrgico;

3. Os temas da CF devem ser vistos em seu conjunto. Numa visão panorâmica, vemos que os temas dos diversos anos se encaixam formando um quebra-cabeça que tem como imagem uma sociedade justa, sustentável e humana/fraterna. Daí que cada tema, a cada ano, enriquece esse quebra-cabeça, com mais uma peça. No ano de 2018 será a busca comum pela superação da violência.

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Campanha da Fraternidade de 2018 tem como tema: “Fraternidade e superação da violência“, e como lema: “Vós sois todos irmãos” (cf. Mt 23,8).

objetivo geral é “Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência“.

Eis os objetivos específicos:

1. Anunciar a Boa Nova da fraternidade e da paz, estimulando ações concretas que expressem a conversão e a reconciliação no espírito quaresmal.

2. Analisar as múltiplas formas de violência, considerando suas causas e consequências na sociedade brasileira, especialmente as provocadas pelo tráfico de drogas.

3. Identificar o alcance da violência nas realidades urbanas e rural de nosso país, propondo caminhos de superação a partir de diálogo, da misericórdia e da justiça em sintonia com o Ensino Social da Igreja.

4. Valorizar a família e a escola como espaços de convivência fraterna, de educação para a paz e de testemunho do amor e do perdão.

5. Identificar, acompanhar e reivindicar políticas públicas de superação da desigualdade social e da violência.

6. Estimular as comunidades cristãs, pastorais, associações religiosas e movimentos eclesiais ao compromisso com ações que levem à superação da violência.

7. Apoiar os centros de direitos humanos, comissões de justiça e paz, conselhos paritários de direitos e organização da sociedade civil que trabalham para a superação da violência.

Eis o porque da escolha: a violência está tão presente no dia a dia dos brasileiros que corremos o risco de banalizá-la, sendo indiferentes a ela. A CF vem nos chamar para ver, julgar, agir; todos somos responsáveis pela cultura de paz e da vida!

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A violência que começa em casa

A Campanha da Fraternidade, com um olhar abrangente, vê a violência sob todas as suas formas, e procura encontrar os meios que a superem. Começa pela família onde, em tese, o amor deveria manifestar-se de forma contínua e profunda. São muitos os lares, entretanto, onde a agressão psicológica e física se dá rotineiramente. As causas são diversas e variadas, e vão desde o uso de substâncias entorpecentes até a equivocada convicção de que a autoridade justifica a brutalidade. As grandes e maiores vítimas continuam a ser as crianças, os incapazes e as mulheres. A CF 2018, além de olhar para a realidade e iluminá-la com a Sagrada Escritura, a Tradição viva e o Magistério da Igreja, questionará as famílias e irá propor a conversão. Onde há amor, inexiste a violência. Para tanto, é necessário arrancar as raízes que levam à prepotência, sejam elas desejadas ou não. Deve-se ainda levar em conta que famílias onde há violência, a disseminam na sociedade, tornando esta também violenta, e vice-versa. A superação da violência, como tantas outras superações, começa em casa.

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Violência no trânsito!

Este vídeo aborda um assunto muito debatido aqui no nosso país: as mortes por acidentes nas estradas. Na Austrália eles criaram um modo de conscientizar as pessoas sem precisar mostrar acidentes de verdade, só utilizando-se de dados e apelo emocional.

Assista!

 

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Olá irmão/irmã na fé!

Neste clima de Ano Mariano convido vocês a assistirem o clipe desta música tão bonita e querida por nós devotos: “Romaria” de Renato Teixeira, com participações especiais de Pe. Fábio de Melo, Maria Rita, Thiaguinho e Daniel.

Vamos ver e ouvi-la juntos?