O ciúme mata! O amor liberta!

Vamos distinguir o ciúme da inveja. Uma pessoa é invejosa quando ela quer ter o que o outro tem; uma pessoa é ciumenta quando ela tem medo que a outra pessoa tenha o que ela te, ou pensa ter. Por isso, normalmente, nós temos inveja de coisas, e ciúme de pessoas. Por exemplo: tenho inveja de um parente porque ele tem a casa que eu gostaria de ter, e não tenho. Tenho ciúme de uma amiga/amigo porque tenho medo que ela/ele tenha o que hoje entendo como “propriedade” minha: eu namorado/namorada.

Ciúme e Amor

Ciúme é sinal de propriedade

Quem tem ciúme, quase sempre, entende que o outro é propriedade sua, o que não é verdade. Ninguém de nós tem dono; só Deus é dono de todos! Nós temos compromissos uns com os outros, o que não significa que com isso percamos a nossa liberdade. A pessoa ciumenta trata a outra como se ela fosse uma das suas coisas, sobre quem tem o direito de vida ou morte. Mesmo quem é casado não perde a sua liberdade, mas o oferece por amor, e não por posse. Quem se deixa “aprisionar” por outra pessoa torna-se escrava. E são muitas entre nós as pessoas escravizadas, e portanto, entristecidas, em razão do ciúme de alguém.

Ciúme é sinal de falta de confiança em si

Tenho ciúme quando não confio em mesmo. Ou seja, tendo a autoestima baixa, vejo a todos como melhores do que eu, e portanto como potenciais rivais. Não acreditando em mim mesmo, vejo perigo em tudo e em todos, mesmo onde o perigo não existe. O ciumento é paranoico, vive com medo, alimenta-se da incerteza. É uma pessoa angustiada, mesmo e apesar do amor que recebe da pessoa que ama. Ela não se acha digna ou merecedora desse amor, passando à “certeza” de que existem pessoas melhores que ela, prontas para apoderar-se daquele/daquela que ama. Toda pessoa ciumenta sofre e faz sofrer!

Ciúme normal

É aquele do dia a dia, que incomoda mas não faz sofrer. Já que ninguém é perfeito, é normal que todos sintamos ciúme. Mas é um ciúme sobre o qual temos controle, que não atrapalha no relacionamento, e que não faz do outro uma “coisa”, um “objeto”. Um pouco de ciúme até é bom, já que estimula a pertença e consolida os compromissos assumidos mutuamente.

O ciúme doentio

É aquele que leva ao desejo de ter controle total sobre o outro, que desconfia de tudo, que “inventa” um relacionamento mesmo onde ele não existe. O ciúme doentio leva o ciumento a não ter nenhuma confiança no outro, já que não tem confiança em si mesmo. Ele é terrível e, normalmente, inviabiliza um casamento, um namoro, uma amizade. A pessoa ciumenta perde o controle, perde o chão. Se pudesse, acorrentaria o outro a si e jamais deixaria, não porque o quer bem, mas pelo medo de perdê-la. O ciúme, quando doentio, é incontrolável.

O ciúme mata

E como mata! Mata amizade, mata namoro, mata casamento, mata vidas! O ciumento prefere não ter para si o que pensa que está perdendo para outro. Diz: “Se não é meu, não será de ninguém”. E é capaz de ir tão longe que, infelizmente, é capaz de matar e de matar-se para não perder sua “propriedade”. Mas que fique claro: o ciúme doentio é doença, e não maldade. Ele é mais comum em quem cresceu com a autoestima baixa, que não se sentiu amado por seus pais e familiares, que vive sem acreditar em si mesmo.

Tratamento

O ciúme doentio não se cura com conselhos ou orações. Ele só pode ser controlado a partir de um tratamento com especialista, e, não raro, com a ajuda de medicamentos. A pessoa ciumenta, por não ter controle sobre si, precisa que alguém de fora a socorra, levando-a a entender que está doente. Infelizmente, são muitos os que não aceitam tratar-se por medo de parecer fracos, ou ainda de serem julgados infantis e imaturos. Mas não há outro caminho! Ou se trata do ciúme, ou permite-se que ele espalhe vítimas pelo caminho, a começar pela própria pessoa ciumenta!