Da Novela para a Vida, ou da Vida para a Novela?

Novela - A Força do Querer

Na novena “A força do querer” da Globo, que vai ao ar as 21h, a atriz Lília Cabral faz o papel de uma jogadora compulsiva, a Silvana. Ela vive à procura do “céu” (ganhar) mas encontra o “inferno” (ao perder). E mais: para manter as aparências, inventa mil e uma mentiras para todos, a começar por ela mesma. Vai ao extremo de colocar tudo em jogo e entrar no desespero mais profundo e angustiante ao perder tudo: dinheiro, outros bens materiais, família, saúde. Quanto mais perde, mais joga para tentar recuperar o que perdeu, e se por acaso ganha, sente-se extremamente bem para apostar ainda mais alto e ganhar muito mais. Mas o jogo é cruel com quem aposta, já que suas chances são mínimas, e em alguns casos até nulas, de sair-se vitorioso.

É a vida de milhões de pessoas, que vivem tragicamente a compulsão pelo jogo, que está retratada na personagem de Lília Cabral. Imagino que um número enorme de brasileiros e brasileiras olham para ela e dizem para si mesmas: “Esta sou eu; é a minha história, é o meu drama”.

 

Vício ou Doença?

É doença, sempre que se caracteriza a compulsão, o não conseguir parar, o colocar tudo em jogo, o mentir quanto for preciso para continuar jogando.

O jogador compulsivo precisa de acolhida, compreensão, solidariedade, amizade e ajuda médica. Não há outro caminho. A condenação, ou a tentativa de afastá-la das apostas, apenas agrava a situação, levando o apostador a aumentar as mentiras para continuar jogando. Daí que é essencial o apoio de amigos e familiares para que o tratamento seja feito por um especialista em compulsão.

 

Jogos de Azar no Brasil

No Brasil os jogos de azar estão proibidos, mas à beira de serem legalizados. A câmara dos deputados está avaliando o texto que regulamenta esse tipo de jogo, chamado de “jogo de azar”, já que consiste em aposta cega, sem nenhuma lógica. Ao que tudo indica, será aprovado sem maiores dificuldades e irá para a sanção presidencial, com a alegação de que criará milhares de empregos diretos e indiretos? Mas, a que custo pessoal, familiar e social?

 

Jogos de Azar

 

A Igreja aprova?

Não. A Igreja no Brasil não aprova a legislação dos jogos de azar. Ela tem denunciado com veemência que todo jogo de azar é altamente destrutivo tanto para quem joga, como para a sociedade como um todo, passando pelas famílias. Ou seja, o fim não justifica os meios: não se pode criar empregos às custas da exploração de milhões de pessoas compulsivas, isto é, doentes.

Veja o que dizem os Bispos do Brasil aqui.

 

As “silvanas” que estão ao nosso lado

A novela “A força do querer” chama a nossa atenção para as muitas “silvanas”, homens e mulheres, que são jogadoras e jogadores compulsivos e que estão ao nosso lado, talvez em nossa própria casa. Não há outro caminho a não ser acolher, respeitar e encaminhar para um tratamento especializado. Condenar simplesmente, ou tratar a pessoa como se ela fosse culpada pelo que faz, é empurrá-la ainda mais para dentro da doença que a devora.

Existem muitas “silvanas” que esperam de mim e de você um abraço de acolhida e solidariedade como primeiro passo para buscar a cura que a libertará das correntes da compulsão. Sim, nós podemos e devemos fazer a diferença!